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Publicação de estudos científicos

Caros leitores, A Journal Health NPEPS (ISSN 2526-1010) é uma revista científica produzida pela Universidade do Estado de Mato Grosso (UNE...

terça-feira, 24 de maio de 2022

Uso da IVERMECTINA contra o COVID: reflexo da pseudociência

 



O nome desta droga rodou em diversos grupos e conversas de WhatsApp e Telegram, mas não somente ali. Prescrições e mesmo a automedicação com ivermectina se multiplicaram durante a pandemia, e ainda há quem defenda seus efeitos na covid com unhas e dentes – ainda que a boa ciência já tenha demonstrado o contrário. Ao investigar a origem de toda esta fama, inclusive argumentando com seus defensores, somos inundados com links para “estudos” e periódicos que, para quem não tem intimidade com os meandros da pesquisa e publicação científica, passam facilmente como provas da eficiência da droga.

Essa reportagem vai abordar mais a fundo dois deles: o site ivmmeta.com e um artigo publicado na revista Cureus. O primeiro caso é mais gritante: o site é anônimo, não faz parte de nenhum periódico científico, além de violar as regras mais básicas da metodologia científica – inclusive com distorção estatística grotesca para quem entende um pouco do assunto. A conclusão forjada, mas propagada inclusive por médicos em vídeos na internet, é de que a chance da ivermectina não funcionar contra a covid é de 1 em 1 trilhão.

Já o segundo caso envolve artigo publicado em uma revista que vem sendo fortemente questionada pelo processo de revisão frágil: os próprios autores indicam os revisores, e o tempo de revisão de poucos dias foge totalmente ao que é considerado por especialistas o mínimo necessário para fazer uma verificação atenta. Os autores também ocultaram conflitos de interesse, como trabalhar para o laboratório que produz ivermectina no Brasil. Mais que a falta de credibilidade, há uma série de inconsistências graves no próprio artigo – e nos dados, como paciente com 119 anos e outro que consta como tendo tomado 6 mil comprimidos da droga – que, mais uma vez, levam ao resultado favorável para a ivermectina na covid, ao contrário do que estudos sérios apontaram.

Saiba como funciona o sistema de publicações científicas na área médica e por que estudos desacreditados sobre a ivermectina continuam servindo de justificativa para uso da droga na covid:

REVISÃO POR PARES
E por que elas são tão importantes? “O processo científico precisa de organização, protocolo. É só a partir do registro que é possível reproduzir uma pesquisa e confirmar aquela informação, por exemplo. As publicações, por sua vez, geram outras perguntas e novas pesquisas. Os estudos e seus resultados precisam ser públicos”, explica Bruno Caramelli, médico cardiologista e professor da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).
Depois, é preciso verificar se o estudo foi duplo cego, quando nem a pessoa que recebeu a intervenção, nem quem a avalia sabem se ela recebeu o medicamento ou o placebo. O cegamento serve para evitar ou diminuir a atribuição de resultados a uma droga, quando eles se devem, na verdade, ao efeito placebo, ou a um enviesamento de quem avalia. “O método científico é feito para nos proteger de nós mesmos, porque nós queremos que o resultado seja bom. Então você dá ivermectina para os seus pacientes no consultório, e eles ficam bons. Mas como você sabe que eles não ficariam bem se você não tivesse dado absolutamente nada para eles?”, complementa Tessler.
Um bom estudo que avalia tratamentos médicos em seres humanos, o ensaio clínico, no jargão da ciência, também deve ser randomizado no momento de incluir os participantes em cada um dos “braços”. Ou seja, os pacientes são colocados em um dos dois grupos de forma aleatória, sem escolha prévia, para que tanto o grupo que recebeu o tratamento quanto o que recebeu placebo tenham características semelhantes: idade, sexo, condições prévias de saúde, sociais, entre outras.
A revisão é dita por pares porque é feita por especialistas, assim como o autor da pesquisa, para conferir, dentro do texto, se há algum erro metodológico. “O papel da revisão é garantir que a produção científica tenha qualidade”, diz Caramelli.

A pandemia potencializou um problema com que a ciência se depara há alguns anos, principalmente após a popularização da internet. Se, por um lado, a multiplicação de periódicos representou algum avanço na democratização do acesso e divulgação do conhecimento científico, por outro, deu origem a uma série de publicações científicas (ou com cara de científicas) de baixíssima qualidade e alta tolerância para artigos metodologicamente ruins, quando não escritos a partir de dados fraudados. É neste tipo de revista que se insere a totalidade dos estudos que expõem como conclusão a eficácia da ivermectina contra a covid.


QUALIDADE

Quase nenhum fator que vamos elencar aqui, isolado, é garantia da qualidade de uma produção científica. Mas todos se complementam, e o primeiro indício é a qualidade do periódico onde a pesquisa foi publicada. Existem revistas predatórias, que têm uma revisão por pares fraca ou até mesmo inexistente, estando interessadas apenas em receber o valor que o autor paga para publicar ali. “Esse problema é anterior à pandemia, e uma das coisas que o explicam é a pressão, na carreira acadêmica, para que o cientista publique artigos. Ele depende de um volume de publicações para progredir e ter financiamento”, explica Ana Carolina Peçanha.


IMPACTO

fator de impacto de uma revista diz quantas vezes, em média, um artigo publicado nela é citado em outros artigos. Ele é mais um indício da qualidade da revista. A mais famosa da área médica, o New England Jornal of Medicine, por exemplo, tem o mais alto fator de impacto entre todas as revistas científicas, maior que 90.

Ana Carolina Peçanha diz também que as revistas menos importantes ganharam algum empoderamento na crise da covid, e até aumentaram seu fator de impacto. “A própria revista tem interesse em publicar artigos com resultados extraordinários, que sejam polêmicos, mesmo que gerem críticas, pois geram citações”, afirma a pesquisadora.

Por fim, Alencar Neto destaca que os estudos têm objetivos diferentes, e por isso nem sempre um bom estudo estará nas maiores revistas. Mas se o artigo está num bom periódico, certamente tem mais chance de ser confiável.


QUESTÕES DE MÉTODO

Depois, é preciso verificar se o estudo foi duplo cego, quando nem a pessoa que recebeu a intervenção, nem quem a avalia sabem se ela recebeu o medicamento ou o placebo. O cegamento serve para evitar ou diminuir a atribuição de resultados a uma droga, quando eles se devem, na verdade, ao efeito placebo, ou a um enviesamento de quem avalia. “O método científico é feito para nos proteger de nós mesmos, porque nós queremos que o resultado seja bom. Então você dá ivermectina para os seus pacientes no consultório, e eles ficam bons. Mas como você sabe que eles não ficariam bem se você não tivesse dado absolutamente nada para eles?”, complementa Tessler.

Um bom estudo que avalia tratamentos médicos em seres humanos, o ensaio clínico, no jargão da ciência, também deve ser randomizado no momento de incluir os participantes em cada um dos “braços”. Ou seja, os pacientes são colocados em um dos dois grupos de forma aleatória, sem escolha prévia, para que tanto o grupo que recebeu o tratamento quanto o que recebeu placebo tenham características semelhantes: idade, sexo, condições prévias de saúde, sociais, entre outras.




quinta-feira, 19 de maio de 2022

Regra editorial: é apropriado não citar artigos com mais de cinco anos?

A pesquisa publicada em periódicos científicos é baseada em conhecimento prévio, representado nas referências bibliográficas que os autores apresentam em seus artigos. Toda pesquisa parte de uma busca adequada de informações utilizando uma metodologia rigorosa e de relevância no estudo. As referências são associações de conceitos com as ideias científicas que estão sendo trabalhadas na pesquisa e atualmente constituem uma medida da qualidade e relevância da pesquisa. Observa-se que os periódicos científicos muitas vezes estabelecem uma norma sobre referências bibliográficas em que se solicita que 'artigos não devem ter mais de cinco anos', e livros, 'não mais de dez anos'. Existe um padrão validado que suporta essa regra?

As citações, nas quais um artigo se refere a um trabalho anterior, são um meio padrão pelo qual os autores reconhecem a fonte de seus métodos, ideias e descobertas e são frequentemente usadas como uma medida aproximada da importância de um artigo. Cinquenta anos atrás, Eugene Garfield publicou o Science Citation Index (SCI), o primeiro esforço sistemático para rastrear citações na literatura científica.

Em um artigo revisando os 100 artigos mais citados até 2014, um publicado em 1951, ' Medição de proteína com reagente de folina ' (http://www.jbc.org/content/ ) ficou em primeiro lugar. Segundo lugar: ano de 1970, citado 213.005 vezes, ' Clivagem de proteínas estruturais durante a montagem da cabeça do bacteriófago T4 ' (https://www.nature.com/articles/227680a0). Terceiro lugar: ano de 1976, citado 155.530 vezes, ' Um método rápido e sensível para a quantificação de quantidades de microgramas de proteína utilizando o princípio de ligação proteína-corante' (https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/0003269776905273). Esses artigos são citados até os dias atuais.

Nenhum desses trabalhos poderia ter sido citado em trabalhos de pesquisa hoje de acordo com as regras de alguns periódicos de pesquisa. Se você notar, na lista dos mais citados, o mais antigo é de 1925 (citado 220.690 vezes), e o mais novo é de 2008 (37.978 vezes), e continuam citados. De acordo com o Comitê Internacional de Editores de Revistas Médicas, os autores devem fornecer referências diretas e relevantes à fonte original sempre que possível.

Na minha opinião, não há prazo de validade para um trabalho. No entanto, enquanto alguém pode olhar para o conteúdo científico e achar que está desatualizado, outro cientista pode ler nas entrelinhas e encontrar uma ótima ideia que poderia vir desse artigo. Acho que todos concordamos que muitos desenvolvimentos na ciência vêm da transferência de conhecimento antigo adquirido em um novo campo para outro campo. Uma boa regra é usar fontes bibliográficas dos últimos dez anos para pesquisa em ciências sociais. Para campos de ritmo mais acelerado, as fontes publicadas nos últimos 2-3 anos são um bom ponto de referência, pois são mais atuais e refletem as descobertas, teorias, processos ou melhores práticas mais recentes.




Fonte:

IGLESIAS-OSORES, S. Norma editorial: ¿es adecuado no citar los artículos de más de cinco años de antigüedad?. 

Clique aqui para conferir: Scielo.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Morte de revista acadêmica muito exagerada, diz presidente da ERC

 


Plataformas de acesso aberto não substituem periódicos revisados ​​por pares, diz Maria Leptin


A publicação em periódicos altamente seletivos continuará sendo importante para os cientistas no futuro, porque os acadêmicos sempre reconhecerão o valor agregado dos pesquisadores nesse tipo de publicação, disse o novo presidente do Conselho Europeu de Pesquisa.

Descartando as previsões de que os editores acadêmicos tradicionais não serão necessários no futuro próximo, à medida que a popularidade dos preprints e outras plataformas de acesso aberto cresce, Maria Leptin disse que não imaginava um mundo sem periódicos.

Mesmo nas próximas décadas, os pesquisadores "continuarão a enviar artigos para revisão por pares da mesma maneira que fazem agora", disse o professor Leptin, que assumiu o financiamento de pesquisas da União Europeia em novembro, depois de ter sido diretor do European Molecular Biology Organização (EMBO), que publica um número seleto de revistas, desde 2010.

Sobre o possível abandono da revisão por pares baseada em periódicos, que alguns previram, o professor Leptin acrescentou: "Os comentários pós-publicação, os crachás e tudo isso... eu não vejo, porque o trabalho que os especialistas dos árbitros fazem ao revisar os artigos melhora-os e já é algo que usamos para julgar os artigos".

Seus comentários aparecem em um novo livro, Plan S for Shock, escrito por Robert-Jan Smits, que supervisionou a criação da iniciativa de acesso aberto Plan S enquanto um alto funcionário da Comissão Europeia, e a jornalista Rachael Pells, que relata o desenvolvimento da iniciativa e seu eventual lançamento em janeiro de 2021 (possível lançamento em janeiro de 2021).

Os principais defensores do acesso aberto entrevistados para o livro insistiram que os periódicos se tornarão - e talvez já sejam - obsoletos.
"Não precisamos de periódicos", disse Robert Kiley, ex-chefe de acesso aberto do Wellcome Trust e atual estrategista-chefe da Plan S. Ele disse que um "repositório completamente aberto onde os pesquisadores podem enviar suas pesquisas quando se sentirem prontos para como qualquer servidor de pré-impressão" seria um modelo mais eficiente, ao qual os revisores poderiam adicionar seus comentários.

Mas o professor Leptin observou que uma pesquisa com membros do EMBO em 2019 sugeriu que havia pouco apetite por esse tipo de modelo. Quando questionados sobre como selecionariam artigos fora de sua área, eles optaram por artigos "de alguém que conhecem ou ouviram falar, um nome muito conhecido na ciência - ou vão para uma revista muito seletiva", disse o professor Leptin, que ele argumentou que os cientistas "precisam de algum tipo de bandeira 'começar aqui'" ao realizar pesquisas.

Para Jasmin Lange, diretora da Brill, editora sediada na Holanda com quase 300 revistas, as revistas serão mais importantes do que nunca como fontes confiáveis ​​no "enorme transbordamento de informações" da Internet.

"O que uma revista faz é construir uma comunidade", disse ele, acrescentando que os títulos eram uma "plataforma de discussão que nós, como editor, criamos com editores e onde trabalhamos continuamente para melhorar procurando novos autores e também novos leitores ". A comunidade "não será drasticamente separada dos modelos de periódicos existentes, porque estamos falando de comunidades muito especializadas que publicam com periódicos da sociedade, subcampos de subcampos", explicou.

Smits, que agora é presidente da Universidade de Tecnologia de Eindhoven, disse ao Times Higher Education que acredita que "o papel da revista diminuiria".

"É uma questão geracional", disse ele. "A idade média dos professores na Europa é de cerca de 54 anos, e eles ainda estarão por aí por mais 10 anos, mas a próxima geração já está compartilhando suas descobertas de uma maneira muito diferente: não é tanto em torno de periódicos", disse ele.




segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Covid-19 e a ética das publicações científicas



Os preceitos do método científico estabelecem que toda pesquisa rigorosa deve começar com a formulação de uma hipótese, com base nas informações disponíveis sobre o assunto em questão, juntamente com o conhecimento e a experiência do pesquisador. Em seguida, essa hipótese precisa ser apoiada por observações precisas e pela realização do trabalho experimental essencial que apoia sua validade. Somente o acúmulo de dados favoráveis ​​e inequívocos garantiria sua publicação, geralmente por meio de monografias especializadas, artigos científicos populares ou artigos .

Portanto, a publicação de resultados consistentes culminaria em uma etapa do longo processo de pesquisa. Cabe então à própria comunidade científica submeter essa hipótese a uma crítica exaustiva para refutá-la ou confirmar sua veracidade, fortalecendo-a com novos princípios que permitam postular uma teoria coerente. Pouquíssimas teorias chegam à categoria de leis dotadas de significado universal, dando crédito à genialidade de seus autores.

No entanto, nas últimas décadas, a pesquisa tornou-se uma tarefa exigente e competitiva , colocando grupos consolidados uns contra os outros para serem os primeiros a ter sucesso, principalmente em áreas de ponta e prioritárias. Governos, instituições públicas e fundações estabeleceram um conjunto de critérios, teoricamente objetivos mas restritivos, para selecionar os –supostos– melhores e mais capazes candidatos, cujas pesquisas serão financiadas, em detrimento de tantos cientistas medíocres, condenados ao ostracismo.

O número e a qualidade das publicações representam o sancta santorum de qualquer pesquisa atual , preceito que pode ser quantificado através de vários parâmetros: principais periódicos , fator de impacto, índice h, citações, decis etc., que geram um resultado matemático, traduzível como triunfo ou fracasso.

Consequentemente, inúmeros pesquisadores lançaram uma corrida obsessiva e imparável, buscando obter dados rápidos que garantam publicação imediata. É a sublimação do axioma: “Na ciência, o que não se publica não existe” que, usado tortuosamente nestes tempos confusos, despreza atitudes éticas e ideias novas, mas difíceis e mais lentas de executar.

Os efeitos perversos de uma estratégia tão insana são evidentes: o planejamento repetitivo de curto prazo exige resultados rápidos sem checagem, autoria falsa ou um número desproporcional de autores.

Especialmente grave é a terrível pressão sobre os jovens pesquisadores , que recebem uma formação degradada, sem honestidade ou ética de trabalho.

Vendo o futuro emprego condicionado ao desempenho da publicação, casos de falsificação, fraude, plágio e outros comportamentos imorais são e continuarão sendo frequentes. Nessa atmosfera viciada, a ciência fechou os olhos, concordando equivocadamente em mudar seu paradigma: "produzir" substituiu "descobrir".

As consequências dessa deriva: o exemplo da pandemia de covid-19

Um exemplo óbvio dessa deriva científica incongruente vem de publicações científicas relacionadas à covid-19. Até o final de 2019, os artigos científicos sobre coronavírus eram relativamente escassos, apesar das epidemias anteriores conhecidas como SARS (2003) e MERS (2012).

No entanto, o surto repentino da pandemia em 2020 provocou um crescimento, não apenas exponencial, mas estratosférico, de artigos relacionados à covid-19, provavelmente sem precedentes na história da comunicação científica . Algumas fontes confirmaram a constante duplicação do número de publicações, catalogando cerca de 500 novos artigos diários sobre SARS-CoV-2.

Embora desproporcional, tal aumento seria justificado pelo terrível impacto de uma pandemia planetária ainda inacabada. No entanto, um exame mais atento revela facetas que questionam a ética de muitas publicações.

Inicialmente e para garantir sua confiabilidade, os periódicos devem submeter as comunicações recebidas à revisão por pares. Assim, são avaliados criticamente por especialistas da área de forma rigorosa e anônima. Somente seu julgamento favorável garante a aceitação; esta peneira ignora itens de baixo nível. Não sendo perfeito, este sistema editorial foi aceito por unanimidade.

Pelo contrário, na covid-19 é comum encontrar artigos recebidos e aceites rapidamente, mesmo no mesmo dia, impossibilitando assim a sua indispensável revisão prévia. Também encontramos publicações superficiais, cientificamente irrelevantes ou sem controles exequíveis .

Em outras ocasiões, são descritos ensaios terapêuticos preliminares, com amostras insuficientes ou com curto intervalo de tempo, o que não permite tirar conclusões definitivas. Também é comum que linhas de pesquisa muito distantes busquem algum tipo de conexão com o termo “covid-19” para facilitar sua visibilidade, com o consequente interesse dos periódicos mais prestigiados.

Em nosso mundo de interesses complexos e informações superdimensionadas, as consequências negativas vão além da condenação de atitudes acadêmicas e científicas eticamente condenáveis.

Pensemos, por exemplo, que a aplicação fraudulenta de propostas de vacinas ou tratamentos terapêuticos que não foram suficientemente testados e contrastados pode colocar em risco a vida de muitas pessoas, ainda que os órgãos de vigilância exerçam controles muito rigorosos.

É claro que esta análise crítica não é universalmente válida, nem pretende depreciar os estudos mais sérios e conscienciosos. Mas é inegável que sob o pretexto da pandemia e sob a premissa “publique, resta alguma coisa”, um número significativo de artigos científicos contendo dados errôneos ou pouco confiáveis, quando não oportunistas e desnecessários , vieram à tona.



Fonte: The Conversation - Rigor Acadêmico, Talento Jornalístico

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Discrepâncias de autoria nas publicações dos trabalhos apresentados em congressos científicos nacionais de estudantes de medicina

Há um aumento da má conduta ética em publicações científicas, incluindo irregularidades de autoria. Para identificar a discordância quanto ao número de autores e seus fatores associados nos trabalhos realizados por estudantes de medicina peruanos, foi realizado um estudo transversal que incluiu todos os trabalhos publicados em revista científica após sua apresentação em congressos. Cientistas de estudantes de Medicina de 2010 a 2014. Foi avaliada a discrepância no número de autores entre a apresentação do trabalho ao Congresso Científico Nacional e o artigo publicado. Para quantificar a associação com os possíveis fatores associados, foram desenvolvidos modelos brutos e ajustados por meio da regressão de Poisson detalhada. 97 artigos publicados em revistas científicas foram revisados, p = 0,012) e quando o desenho do estudo era experimental (RP: 1,54, IC 95%: 1,13 ± 2,11, p = 0,006).

Os resultados do presente estudo mostram que um em cada dois artigos publicado por estudantes de medicina do Peru, após participação no CCN, apresenta divergência no número de autores, o que poderia sugerir a ocorrência de autoria honorária, fantasma ou ambas as faltas.

Discussão

O percentual de discordância descrito no presente estudo é semelhante a 47% encontrados nos artigos publicados após sua apresentação nos congressos de Gastroenterologia do Peru. Embora seja menos de 74,3% de discordância de autoria entre os trabalhos apresentados nas reuniões anuais da Sociedade Journal of Clinical Oncology e publicações subsequentes revisadas por pares, também é inferior aos 83,9% de alteração de autoria descrita nos fóruns estudantes nacionais de Ciências Médicas Cubanas nos anos de 2016 e 2017  e 70,5% do descrito no Congresso Internacional de Estomatologia, Cuba 2015.

Essas discrepâncias no número de autores entre a apresentação do trabalho ao O CCN e a publicação em periódico científico podem ter várias explicações: em autoria honorária ou presente, os estudantes de medicina podem sentir pressionados por seus professores (que ocupam cargos acadêmicos ou previdenciários) a ser incluídos como autores do trabalho realizado. Isso também é conhecido como "autoria coercitiva". Da mesma forma, os alunos podem ser tentados a incluir pesquisadores renomados, a fim de aumentar o chances de anúncio de emprego, especialmente no contexto que muitas revistas dispensam o trabalho dos alunos. Na autoria fantasma, os alunos podem não estar cientes de seu papel na investigação ou isso não está claramente definido desde o início, o que pode causar um mal-entendido sobre o significado de autoria, onde pequenas contribuições poderiam ser assumido como suficiente no início, para depois receber a gratidão pela ajuda prestada e pela exclusão da obra a publicar.

A ocorrência dessas possíveis violações éticas pode ter implicações no formação dos futuros médicos, uma vez que normalmente poderiam assumir o inclusão ou exclusão de autores, sem considerar o cumprimento dos critérios e contribuições de autoria.  A presença do orientador como autor correspondente acabou por estar associada a um maior probabilidade de incompatibilidade de autoria. Assim como foi descrito que a presença o orientador influencia a publicação do resumo em uma revista científica, Haveria também a possibilidade de que para conseguir a publicação da obra, incluir ou excluir autores, e quem decidir por este é o orientador, aproveitando-se de sua posição de poder. Este achado deve ser visto com cautela e buscar sua confirmação com estudos com melhores desenhos e com melhor mensuração do variáveis.

Quando o trabalho publicado tinha um desenho experimental, uma maior probabilidade de incompatibilidade de autoria; talvez a complexidade do design pode motivar a inclusão de novos autores que fornecem maior suporte metodológica ao trabalho apresentado ao CCN, o que explicaria esta associação. Ao A este respeito, alguns pesquisadores relataram que estudos experimentais apresentam uma taxa de publicação ligeiramente maior do que outros designs de estudos, o que seria consistente com os resultados descritos.

Conclusões e recomendações

Mais da metade dos artigos publicados por estudantes de medicina apresentaram incompatibilidade de autoria, que provavelmente se deve à ocorrência de autoria honorário, fantasma ou ambos. Da mesma forma, essa discordância aumenta significativamente quando o autor correspondente é o orientador e quando o design do o estudo é experimental.  Recomenda-se promover o cumprimento das critérios de autoria no CCN, ainda mais quando esses eventos representam para muitos estudantes de medicina no Peru, a primeira abordagem seria Investigação científica.




Fonte: 

AQUINO-CANCHARI, C. et al. Discordancias de autoría en las publicaciones de los trabajos presentados en los congresos científicos nacionales de estudiantes de Medicina. Revista Cubana de Información en Ciencias de la Salud, v. 32, v. 4, e1862, 2021. Disponível em: http://www.rcics.sld.cu/index.php/acimed/article/view/1862


quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Uma doação de um bilhão de dólares: estimando o custo do tempo dos pesquisadores gasto na revisão por pares

FUNDO

Um dos principais produtos do sistema de publicação acadêmica, o artigo de periódico, é a coprodução de pesquisadores e editores. Os pesquisadores fornecem valor não apenas por fazendo a pesquisa e escrevendo os resultados como um manuscrito, mas também servindo como revisores. Editoras fornecer serviços de seleção, triagem e disseminação de artigos, incluindo a garantia de indexação (adequada) de metadados em bancos de dados. Embora várias estimativas cuidadosas estejam disponíveis em relação ao custo de publicação acadêmica, por exemplo, [1], um aspecto que essas estimativas frequentemente negligenciam é o custo dos pares comentários [2]. Nosso objetivo era fornecer uma estimativa oportuna de contribuição dos revisores para o sistema de publicação em termos de tempo e valor financeiro e discutir as implicações.

Em sua função de revisores pares, cientistas e outros pesquisadores fornecem comentários para melhorar os manuscritos de outros pesquisadores e julgar sua qualidade. Elas oferecem seu tempo e conhecimento altamente especializado para fornecer uma avaliação detalhada e sugestões para o aprimoramento dos manuscritos. Em média, um revisor conclui 4,73 avaliações por ano, 1 ainda, de acordo com Publons, certos revisores completam mais de mil avaliações a ano. Esta contribuição leva um tempo considerável de outro trabalho acadêmico. Somente no domínio biomédico, o tempo dedicado à revisão por pares em 2015 foi estimado ser 63,4 M horas [3].

Um manuscrito normalmente recebe várias rodadas de revisões antes da aceitação, e cada rodada normalmente envolve dois ou mais pesquisadores como revisores. Par o trabalho de revisão raramente é formalmente reconhecido ou diretamente compensado financeiramente no sistema do jornal (exceções incluem alguns periódicos médicos que pagam por revisores estatísticos e alguns periódicos financeiros que pagam por relatórios de arbitragem rápidos). A maioria das universidades parece esperar acadêmicos para fazer trabalhos de revisão como parte de suas pesquisas ou missão de serviço acadêmico, embora não saibamos de nenhum com uma política explícita sobre quanto tempo eles devem gastar com isso.

Embora o trabalho de revisão por pares seja um elemento crítico da publicação acadêmica, encontramos apenas uma única estimativa de seu valor financeiro, que era de 2007. Então, quando o o número global de artigos publicados não foi nem a metade de o volume atual, estimativas aproximadas indicaram que se os revisores fossem pagos por seu tempo, a conta estaria a ordem de £ 1,9 bilhões [4]. Como uma faceta do processo de pesquisa que atualmente requer trabalho de vários especialistas humanos, a revisão contribui para uma situação de doença de custo para a ciência. "Custo doença ”[5] refere-se ao fato de que, embora o custo de muitos produtos e serviços têm iminuído constantemente ao longo do nos últimos duzentos anos, isso não aconteceu por alguns para o qual a quantidade de tempo de trabalho por unidade não mudado. Isso pode tornar alguns produtos e serviços cada vez mais caros em relação a tudo o mais na sociedade, como ocorreu, por exemplo, para música clássica ao vivo concertos. Este também pode ser o destino da publicação acadêmica, a menos que a revisão se torne mais eficiente.

A justiça e eficiência do sistema tradicional de revisão por pares tornou-se recentemente um tópico altamente debatido [6, 7]. Neste artigo, estendemos esta discussão, fornecendo uma atualização sobre a estimativa de tempo dos pesquisadores e a contribuição baseada no salário para o sistema de revisão por pares. Usamos dados disponíveis publicamente para nossos cálculos. Nosso aproximação é quase certamente uma subestimativa porque não apenas escolhemos valores conservadores dos parâmetros, mas para o número total de artigos acadêmicos, contamos com um banco de dados (Dimensões) que não pretende incluir todos os periódicos do mundo. Nós discutimos as implicações de nossas estimativas e identificar um número de modelos alternativos para melhor utilizar o tempo de pesquisa em revisão por pares.

 

MÉTODOS E RESULTADOS

Para estimar o tempo e o valor monetário baseado no salário valor da revisão por pares conduzida para periódicos em um único ano, tivemos que estimar o número de revisões por pares por ano, o tempo médio gasto por revisão e o custo da mão-de-obra horária de acadêmicos. Em caso de incerteza, usamos estimativas conservadoras para nossos parâmetros, portanto, os valores verdadeiros provavelmente serão maiores.

 

COBERTURA

O número total de artigos é obviamente uma entrada crítica para o nosso cálculo. Infelizmente, parece não haver um banco de dados disponível que inclua todos os artigos acadêmicos publicados em todo o mundo. Periódicos de Ulrich O banco de dados pode listar o maior número de periódicos - consultar seu banco de dados para "revistas" ou "conferência procedimentos ”e“ Arbitrado / revisado por pares ”produziu 99.753 entradas. No entanto, Ulrich não indica o número de artigos que essas entidades publicam. Fora de bases de dados disponíveis que relatam o número de artigos, optamos por usar o conjunto de dados Dimensions (https://www.dimensões.ai/) que coleta e coleta artigos de 87.000 periódicos acadêmicos, muito mais do que Scopus (~ 20.000) ou Web of Science (~ 14.000).

 

NÚMERO DE AVALIAÇÕES POR PARES POR ANO

Existem apenas estimativas de quantas revisões por pares associadas a periódicos ocorrem a cada ano. Publons estimou que os 2,9 milhões de artigos indexados na Web de A ciência em 2016 exigiu 13,7 milhões de revisões. Para calcular o número de avaliações relevantes para 2020, usamos o fórmula usada por Publons - eq. 1 abaixo. Nessa fórmula, uma revisão é o que um pesquisador faz em uma rodada de um processo de revisão. Para envios que são, em última instância, aceito pela revista submetida a, a fórmula de Publons assume que, em média, há duas revisões em o primeiro turno e um no segundo turno; para rejeitado artigos (excluindo rejeições de mesa), a fórmula assume uma média de duas avaliações para inscrições que acabam sendo rejeitadas, ambas na primeira rodada.

As suposições de Publons são baseadas em seus conhecimentos gerais sobre indústria, mas não há dados específicos. Observe, no entanto, que se houver alguma coisa, essas são provavelmente subestimações, pois nem todos as revisões por pares estão incluídas em nossa estimativa. Por exemplo, o trabalho de revisão feito por alguns editores quando lidar com um manuscrito geralmente não é indexado no Publons, e um único relatório de revisão por escrito pode ser assinado por vários esquisadores.

Publons estimou a taxa de aceitação de submissões revisadas por pares em 55%. Ou seja, 45% dos manuscritos que não são rejeitados secretamente são, após um ou mais rodadas de revisão, finalmente rejeitadas. Antes de incluir Estimativas de Publons em nossos cálculos, avaliamos com base em outras informações disponíveis. A editora Thomson Reuters relatou números sobre as inscrições, aceitações e rejeições que ocorreram em seu sistema de gerenciamento de periódicos ScholarOne para o período de 2005-2010 [10]. De acordo com outras fontes [11, 12], mostrou que as taxas médias de aceitação aparentemente diminuíram a proporção de submissões que são eventualmente aceitas pela revista em que o manuscrito foi submetido foi de 0,40 em 2005: 0,37 em 2010 e 0,35 em 2011. Não encontramos estimativas de taxas de aceitação para o últimos anos, mas assumimos que o declínio descrito pela Thomson Reuters continuou até certo ponto, e assumimos que a taxa de aceitação média atual em revistas é de 0,30, então podemos chegar aos números de Publons. No entanto, para os números finais, também precisamos estimar a taxa de rejeições de mesa também. Embora a taxa de rejeições de mesa provavelmente variam substancialmente entre periódicos (por exemplo, 22-26% no PLOS ONE4), valores referenciados [13, 14] e as estimativas da editora de periódicos5 nos levam a estimar esse valor em torno de 0,45. As estimativas acima implicam que, em média, a cada 100 submissões a um periódico compreendem 30 que são aceitas após uma ou mais rodadas de revisão por pares, 45 que são mesa rejeitada e 25 que são rejeitadas após revisão. Assim, entre as submissões enviadas para revisão, 55% (30 / (30 +25) são finalmente aceitos. Ou seja, os artigos publicados representam 55% de todas as submissões revisadas, indicando que 45% das submissões que foram revisadas foram rejeitado. Esses valores são, sem dúvida, especulativos, mas eles são consistentes com as estimativas de Publons.

Para obter esses valores, tivemos que estimar o número de avaliações por pares realizadas para artigos em 2020. Para isso, usamos os números fornecidos pelo portal Dimensions (www.dimensions.ai). A versão gratuita, bem como a versão de assinatura do Dimensions atualmente fornece números separados para artigos, capítulos, procedimentos, pré-impressões, monografias e livros editados. Por causa de simplicidade, nossa estimativa limita-se a artigos. O número total de artigos publicados em 2020 de acordo com a base de dados Dimensions é 4.701.988. Assumindo que esta soma reflete a taxa de aceitação de 55% de submissões revisadas, o número de revisadas, mas submissões rejeitadas (45% de todas as submissões revisadas) são estimadas em globalmente 4.701.988 / 55 * 45 = 3.847.081. Com base nesses cálculos, o número total de avaliações por pares para artigos enviados em 2020 é 4.701.988 * 3 + 3.847.081 * 2 = 1.800.126.


TEMPO GASTO EM REVISÕES

Existem vários relatórios para o tempo médio de um revisor gasta ao revisar um manuscrito. Todos estes são infelizmente com base em relatórios subjetivos de revisores em vez de uma medida objetiva. A única coisa semelhante a uma indicação objetiva que encontramos foi no painel Publons (Publons.com), que em 6 de agosto de 2021 indicou que a duração média das avaliações em seus banco de dados em todos os campos é de aproximadamente 390 palavras. Isso destaca que a avaliação média provavelmente tem conteúdo substantivo além de um veredicto sim / não, mas isso não pode ser convertido em uma estimativa de tempo. Uma pesquisa de 2009 respondido por 3597 revisores selecionados aleatoriamente indicaram que o tempo médio relatado gasto na última revisão foi de 6 h [15], uma pesquisa de 2016 relatou que o o tempo médio de revisão é de 5 horas [9]. Outra pesquisa em 2008 descobriram que o tempo médio relatado gasto revisando foi de 8,5 h [16]. A ser notado, é provável que o segundo

A rodada de análises não leva tanto tempo quanto a primeira. Para ser conservador (e considerando a tendência das pessoas para superestimar quanto tempo eles trabalham), vamos usar 6 h como o tempo médio gasto pelos revisores em cada revisão. Com base em nossa estimativa do número de avaliações e horas gastas em uma revisão, estimamos que em 2020 os revisores gastaram 21.800.126 × 6 h = 130.800.757 h em revendo. Isso é equivalente a 14.932 anos (em 365 dias um ano e 24 horas de trabalho de parto por dia) (Fig. 1).

REMUNERAÇÃO POR HORA DOS REVISORES

Para estimar o valor monetário dos revisores de tempo gastar em avaliações, multiplicamos a média dos revisores salário por hora pelo tempo que passam revisando. Observe que alguns estudiosos consideram seu trabalho de revisão como um trabalho voluntário e não como parte de suas obrigações profissionais [5], mas aqui usamos seus salários como uma estimativa do valor deste tempo. Nenhum dado parece ter sido relatado sobre os salários dos revisores de periódicos, portanto, exigimos algumas suposições adicionais. Presumimos que o distribuição dos países nos quais os revisores trabalham é similar à distribuição dos países na produção de artigos. Ou seja, pesquisadores de países que produzem mais artigos também têm desempenho mais resenhas, enquanto os países que produzem poucos artigos também fazer proporcionalmente poucas revisões. Dada a língua inglesa e geograficamente centrada na língua anglófona concentração de periódicos científicos, suspeitamos que pessoas em países de língua inglesa são chamadas como revisores talvez até mais do que sua proporção como autores [17]. Porque esses países têm maior salários do que a maioria dos outros, nossa suposição de revisor países sendo proporcionais aos países autores é conservador para o custo total. Assim, calculamos as contribuições do país para a produção global de artigos, somando o número total de publicações para todos os países listados no banco de dados Dimensions e computando a proporção de artigos produzidos por cada país. Com base nos resultados da Pesquisa de Avaliação inter pares [15] e para manter o modelo simples e conservador, nós assumiu que a revisão é conduzida quase inteiramente por pessoas empregadas em locais de trabalho acadêmicos, como universidades e institutos de pesquisa, e esse júnior e pesquisadores seniores participam da revisão em uma proporção de 1: 1. Portanto, para calcular o salário do revisor por hora em um determinado país que usamos.


Isso rende um valor de $ 69,25 por hora para os EUA, $ 57,21 para o Reino Unido e $ 33,26 para a China (Tabela 1).





REDUZINDO A REDUNDÂNCIA NA REVISÃO POR PARES

Muitos manuscritos são revisados ​​em várias revistas, que é uma grande ineficiência, por exemplo, [22]. Por ser um fator multiplicativo, ele agrava a questão do aumento global crescente no número de inscrições. Embora as melhorias em o manuscrito entre as submissões significa que o o processo de revisão não é totalmente redundante, normalmente em pelo menos parte da avaliação que está sendo feita é duplicação. Com base nos dados da pesquisa [23], estimamos conservadoramente que, em média, um manuscrito é submetido a duas revistas antes da aceitação (incluindo a revista que aceita). Em outro palavras, cada artigo aceito tem uma rejeição e reenvio por trás dele. Caso as revisões de uma submissão anterior estejam disponíveis para a revista da nova submissão, o tempo de revisão poderia ser substancialmente reduzido (presumindo que a qualidade da revisão não difere entre as revistas - e é muito provável que sim), mas infelizmente isso não é uma prática comum. Se assumirmos que as revisões "aprovadas" ou abertas reduziriam os requisitos em uma revisão por manuscrito, então aprox. 28 milhões de horas (dos nossos 85 milhões de horas estimativa total) poderia ser economizada anualmente. Só nos EUA, significaria uma economia de aprox. 297 M USD de trabalho. Algumas economias desse tipo já começaram. 

Um declínio na quantidade de pesquisas conduzidas, ou o número de manuscritos em que esta pesquisa resulta, seria reduzir a quantidade de trabalho de revisão por pares necessária. O número de artigos publicados vem crescendo rapidamente por muitas décadas [28, 29]. Algumas dessas podem ser devido ao corte de salame (publicação de papéis mais finos, mas mais deles), mas isso não é necessariamente verdade – um estudo descobriu que a taxa de publicação individual dos pesquisadores não aumentou [30] quando normalizado pelo número de autores por artigo, sugerindo que os autores estão colaborando mais para aumentar sua contagem de publicações, em vez do que publicar papéis mais finos. Conseqüentemente, o aumento em o volume de publicação pode ser mais um resultado da estabilidade aumento da economia global e, com isso, apoio para pesquisadores. A qualidade, em vez da quantidade de publicações, no entanto, recentemente começou a ser enfatizado mais por alguns financiadores e esquemas de avaliação nacional, e isso pode moderar a taxa de crescimento no número de publicações e, potencialmente, a carga da revisão por pares.

CONCLUSÕES

Por definição, é muito provável que nossos resultados estejam subestimados, pois refletem apenas uma parte do número total de periódicos em todo o mundo. Os números destacam a enorme quantidade de trabalho e tempo que os pesquisadores fornecem ao sistema de publicação, e a importância de considerar formas alternativas de estruturar e pagar pela revisão por pares. Incentivamos esse processo discutindo alguns modelos alternativos que visam potencializar os benefícios da revisão por pares, melhorando assim sua relação custo-benefício.




Fonte: 

ACZEL1, B.; SZASZI, B.; HOLCOMBE, A. O. A billion-dollar donation: estimating the cost of researchers’ time spent on peer review. Research Integrity and Peer Review, v. 6, n. 14, p. 1-8, 2021. Disponível em: https://researchintegrityjournal.biomedcentral.com/articles/10.1186/s41073-021-00118-2 Acesso em: 09 dez. 2021.


domingo, 14 de novembro de 2021

Ordem de autores: melhores práticas de atribuição de autoria

 Na atualidade, um artigo científico de alcance internacional dificilmente tem menos de cinco autores. Nesse caso, como definir quem será o primeiro autor? Há alguma norma, regra ou diretriz sobre isso?



De acordo com a Wordvise, na matéria intitulada How to Order Author Names and Why That Matters há algumas implicações ​​em relação à ordem do autor.

  • O “primeiro autor” é uma posição cobiçada devido ao aumento da visibilidade. Este autor é o primeiro nome que os leitores verão e, devido a várias regras de citação, o primeiro autor pode ser o único nome visível. Regras de referência bibliográfica ou no texto, por exemplo, podem reduzir todos os outros autores nomeados a “et al.” Por causa disso, os leitores podem associar erroneamente o primeiro autor a alguém de maior importância.
  • Tradicionalmente, a posição do último autor é reservada ao supervisor ou investigador principal. Como tal, essa pessoa recebe muito crédito quando a pesquisa vai bem e a crítica quando as coisas dão errado. O último autor também pode ser o autor correspondente, a pessoa que é o contato principal para os editores da revista.
  • Dado que não existe uma regra uniforme sobre a ordem dos autores, os leitores podem achar difícil avaliar a natureza da contribuição de um autor para um projeto de pesquisa. Para resolver esse problema, alguns periódicos, especialmente os médicos, insistem em notas detalhadas de contribuição do autor. No entanto, mesmo essa tática faz pouco para combater o quão fortemente as regras de citação aumentaram a atenção que os primeiros autores recebem.

Tendo isso em mente, reproduzimos a seguir a matéria publicada no website do American Journal Experts (AJE) de autoria de Michaela Panter  intitulada Dar crédito a quem merece: melhores práticas de atribuição de autoria, que apresenta diversas orientações a respeito de autores e autoria.

A autoria está se tornando um problema cada vez mais complicado à medida que as colaborações em pesquisa proliferam, a importância de citações para posições titulares e doações persiste, e não há consenso sobre uma definição. A questão está repleta de implicações éticas porque transmitir claramente quem é responsável pelo trabalho publicado é essencial para a integridade científica.

Muitas revistas atualmente aderem às diretrizes do Comitê Internacional de Editores de Revistas Médicas (ICMJE), que estabeleceu quatro critérios que cada autor de um artigo deve obedecer:

  1. Participação significativa na concepção do estudo, na coleta de dados, ou na análise/interpretação de dados;
  2. Envolvimento na elaboração ou revisão do manuscrito;
  3. Aprovação da versão final do manuscrito para publicação; e
  4. Responsabilidade pela exatidão e integridade de todos os aspectos da pesquisa.

Além disso, pela definição do ICMJE, os autores “devem ser capazes de identificar quais coautores são responsáveis por outras partes específicas do trabalho… [e] ter confiança na integridade das contribuições de seus coautores.” Com base nessa descrição e no quarto critério, autoria implica não só a contribuição individual em um projeto de pesquisa, mas também a responsabilidade conjunta durante esse projeto. Como resultado, os autores poderão compartilhar a fama ou descrédito, dependendo da validade do trabalho.

O Comitê também observa que um autor deve ter feito “contribuições intelectuais substanciais” para o manuscrito. A contribuição criativa é, portanto, mais qualificada para a autoria do que o trabalho puramente mecânico. Um técnico que meramente coleta dados, um pesquisador que apenas obtém financiamento ou fornece supervisão, um colaborador que somente fornece um novo reagente ou amostras, e outras tarefas relacionadas à pesquisa, mas não criativas, não merecem autoria por conta própria. Estes indivíduos e suas contribuições poderiam ser citados em uma seção de agradecimentos.

Apesar desta definição claramente delineada, numerosos problemas (incluindo preocupações éticas) surgiram com relação à atribuição de autoria. Estas questões surgiram em parte porque muitas revistas continuam a aderir às suas próprias diretrizes ou a várias versões modificadas dos critérios do ICMJE (veja, por exemplo, a Tabela 2 em um recente artigo de relatórios EMBO) e em parte porque as diretrizes do ICMJE podem ser insuficientes, como discutido no Workshop Internacional de 2012 sobre Contribuição e Atribuição Acadêmica. A seguir temos uma seleção de questões sobre autoria que você pode encontrar em publicações científicas:

Ambiguidade de contribuição

As funções específicas de autores individuais em um projeto de pesquisa nem sempre são claras, especialmente quando o manuscrito é atribuído a um grupo grande. Para resolver este problema, várias revistas (como a PNAS e a PLOS) exigem a divulgação pública das contribuições específicas de cada autor. Para esclarecer melhor a função dos autores e incentivar a integridade, certas revistas solicitam um fiador público para cada artigo, ou um autor que assuma a responsabilidade de todo o projeto de pesquisa, incluindo a concepção, a aquisição e a análise de dados e a publicação. A ambiguidade em torno da autoria também pode surgir a partir da publicação de artigos por pesquisadores com o mesmo nome, o que poderia ser minimizado através da utilização de um identificador digital ORCID.

Ordem de autoria

O significado da ordem listada de autores em um artigo varia de acordo com a área de estudo. Em certas áreas, a lista está em ordem alfabética, ao passo que em outras, a convenção inclui citar todas as pessoas que contribuíram de alguma forma para o projeto (o que pode entrar em conflito com as diretrizes do ICMJE). Em muitas disciplinas, a ordem dos autores indica a magnitude da contribuição, com o primeiro autor adicionando o maior valor e o último representando o papel mais abrangente, predominantemente de supervisão. Neste modelo, as disputas podem surgir a respeito de quem tem o mérito exclusivo ou compartilhado da autoria principal. O Comitê de Ética de Publicações (COPErecomenda que os pesquisadores discutam a ordem da autoria desde o início do projeto até a submissão do manuscrito, revisando, conforme necessário, e registrando cada decisão por escrito.

Autoria honorária

A autoria honorária é dada a um indivíduo apesar da falta de contribuições substanciais para um projeto de pesquisa. Uma forma, a autoria presenteada, é concedida por respeito ou gratidão a um indivíduo. Por exemplo, em algumas culturas, chefes de departamento ou pesquisadores seniores podem ser adicionados a um artigo, independentemente de sua participação na pesquisa.

Outra forma, a autoria convidada pode ser usada para várias finalidades, como para aumentar a qualidade aparente de um artigo, adicionando um nome bem conhecido, ou a inclusão de um autor acadêmico para ocultar vínculos com um setor específico. Questões adicionais relacionadas à autoria honorária são a inclusão de um autor em um manuscrito sem sua permissão (o que é muitas vezes impedido por normas de revistas que exigem o consentimento de todos os autores) e a autoria coerciva, que normalmente consiste de um pesquisador sênior (como um orientador de dissertação), forçando um pesquisador júnior (como um estudante de graduação) a incluí-lo como um autor presenteado ou convidado. Independentemente de sua forma, a autoria honorária é uma grande preocupação ética na publicação acadêmica, já que um estudo da BMJ encontrou esta prática desonesta em aproximadamente 18% dos artigos em seis revistas médicas em 2008. A publicação de listas de contribuições específicas dos autores pode ajudar a impedir esta prática. Além disso, a revisão por pares em estilo double-blind pode diminuir a influência da proeminência de autores na aceitação da revista.

Autoria fantasma

A autoria fantasma é essencialmente o oposto da autoria honorária e implica uma contribuição significativa para um manuscrito sem o reconhecimento dessa contribuição. O cenário mais conhecido envolve um escritor profissional de medicina ou um pesquisador do setor que elabora um artigo em nome de uma empresa farmacêutica, mas não recebe crédito por este trabalho. Esses escritores fantasmas podem ser ocultados para obscurecer o apoio do setor à pesquisa, para melhorar a objetividade aparente de um artigo ao mesmo tempo mantendo o controle da empresa sobre o seu conteúdo. Esta ocultação está muitas vezes associada à autoria de convidados, com a adição do nome de um pesquisador acadêmico respeitável a um manuscrito para aumentar a sua credibilidade, apesar de pouco ou nenhum envolvimento real. Em outros casos, um cientista pode empregar, mas não reconhecer, um escritor fantasma para superar obstáculos à publicação, como fraca habilidade de redação, tempo limitado, ou falta de familiaridade com as exigências da revista. Contribuições adicionais não atribuídas podem envolver a coleta ou a análise de dados ou outros aspectos potencialmente críticos do processo de pesquisa. O estudo previamente mencionado da BMJ constatou que tais autorias fantasmas estavam presentes em aproximadamente um décimo dos artigos publicados em 2008 em seis revistas médicas.

Como a autoria fantasma se relaciona às diretrizes de autoria estabelecidas pelo ICMJE? Com base nos critérios previamente discutidos, apenas escrever ou editar um manuscrito, por exemplo, não eleva ao status de autor; o envolvimento no delineamento do estudo ou na coleta/análise de dados, na aprovação da versão final do artigo, e a responsabilidade por todo o trabalho, também são necessários. Da mesma forma, pesquisadores da indústria que realizam um estudo e elaboram um relatório com base em seus resultados, mas não aprovam a versão final, não estão tecnicamente habilitados para a autoria. Como resultado, a chamada “autoria fantasma” pode não constituir verdadeiramente uma autoria, embora em casos extremos, um autor fantasma possa ter cumprido todos os quatro critérios do ICMJE. No entanto, embora as diretrizes do ICMJE não apoiem apenas a escrita do artigo e outras atividades focadas como “contribuições intelectuais substantivas”, elas afirmam que “a assistência à escrita” e outros tipos de ajuda técnica fora do nível de autor, como descrito acima, devem ser citadas na seção de reconhecimentos de um artigo. No entanto, alguns têm argumentado que escrever um manuscrito é de fato uma contribuição significativa, sobretudo porque comunicar descobertas científicas complexas frequentemente requer compreensão e interpretação dos dados. Com base neste argumento, a definição do ICMJE sobre o que constitui mérito à atribuição de autoria teria de ser revisada ou mesmo substituída por uma lista de diversas contribuições.

De um ponto de vista ético, a autoria fantasma, particularmente em conjunto com a autoria convidada, implica em enganar a comunidade de pesquisa, que pode não ser capaz de avaliar corretamente a validade e credibilidade de um estudo. A integridade dos autores nomeados pode ainda ser danificada devido à falsificação de seus registros de publicação. Nos piores casos de autoria fantasma e convidada combinadas, a supressão dos vínculos com a indústria também esconde a coleta e/ou interpretação tendenciosa de dados, e estudos de pesquisa derivativos e atendimentos médicos podem ser afetados negativamente. Tanto o COPE quanto a Associação Mundial de Editores Médicos (WAME) deram, assim, declarações explícitas contra estes tipos de autorias antiéticas. Além disso, essas práticas podem violar as normas do ICMJE e do COPE sobre a divulgação de potenciais conflitos de interesse.

Com base nas recomendações do COPE, do WAME, e de membros da comunidade de pesquisa, várias revistas começaram a adotar novas abordagens para melhorar a transparência das contribuições. Como discutido anteriormente, mediante a apresentação do manuscrito, você pode ser obrigado a revelar todos aqueles que contribuíram e suas específicas contribuições e afiliações individuais, independentemente do status de autor, Uma explicação abrangente do processo de escrita, incluindo quem escreveu o primeiro rascunho do documento, também pode ser necessária. Os editores da revista podem ainda solicitar uma seção detalhada de agradecimentos antes da publicação.

Conclusões

Em resumo, transmitir de forma imprecisa as contribuições para um estudo é uma prática antiética que contraria as diretrizes atuais, e provavelmente será cada vez mais alvo de normas futuras. Em todos os casos aqui descritos, normas mais universais para a autoria de manuscritos serão fundamentais para a promoção de boas práticas. Até então, ao passo que você escreve os seus próprios manuscritos, tente promover estas boas práticas e evitar as armadilhas éticas da atribuição da autoria ao

  • Conservar um registro cuidadoso de todos aqueles que contribuíram, suas contribuições específicas, e suas afiliações durante todo o processo de pesquisa.
  • Manter uma comunicação aberta com os seus colaboradores, incluindo os técnicos, sobre as expectativas para que haja reconhecimento.
  • Revisar as orientações éticas pertinentes (como resumido acima) e suas implicações.
  • Familiarizar-se com as diretrizes sobre autoria e contribuição da sua revista alvo.
  • Creditar todas as suas contribuições em seu artigo, quer seja na lista de autoria, na declaração de conflito de interesses, ou na seção de reconhecimentos.




*Matéria AJE também disponível em PDF