DESTAQUE

Publicação de estudos científicos

Caros leitores, A Journal Health NPEPS (ISSN 2526-1010) é uma revista científica produzida pela Universidade do Estado de Mato Grosso (UNE...

terça-feira, 28 de abril de 2020

HORA DE DISTÂNCIA FÍSICA E SOLIDARIEDADE TOTAL

A pandemia de Covid-19 atingiu simultaneamente 156 países, em março, com a maior concentração de novos casos na Europa. No Brasil, mesmo com a vantagem de um sistema de saúde público e gratuito, as recomendações de distanciamento social e trabalho remoto esbarram numa realidade desigual de condições de moradia, trabalho e renda. Pesa também o contexto mundial, mais agudo aqui, de desvalorização do conhecimento científico e desrespeito a direitos humanos e sociais, resultando em ignorância, oportunismo e mais exclusão. Felizmente, ainda há solidariedade, como a dos profissionais da saúde, que se arriscam na linha de frente dos atendimentos e têm sido aplaudidos pela população.
Desinformação intencional virou problema de saúde pública. Desfazer o estrago que causam as fake news consome tempo e energia que deveriam ser direcionados à aproximação da população com especialistas da saúde, para que a realidade e as necessidades sociais interajam com o conhecimento, as orientações e as regulações sanitárias. Em três meses, a Fiocruz recebeu mais de 500 solicitações da imprensa para entrevistas. Em março, 40 por dia. Desde janeiro, 450 mil exemplares da Revista Radis chegaram às mãos dos leitores e o Portal Fiocruz, com bastante conteúdo sobre coronavírus, teve 3,3 milhões de acessos.
Profissionais de comunicação da Fiocruz querem promover diálogo entre os saberes técnico-científico e popular. É o caso de Pauliran Freitas, ao contar nesta edição suas aventuras atrás das câmeras em reportagens e documentários que têm como protagonistas suas paixões: o SUS e o povo. O repórter cinematográfico dedicou 47 dos seus 65 anos ao serviço público e ainda fala com entusiasmo sobre o futuro da comunicação e saúde.
Supostamente distante de tudo, a população ribeirinha da região amazônica vive no epicentro do processo de destruição socioambiental movido por agronegócio, mineração e grandes projetos não sustentáveis que reduzem a floresta, contaminam a água, ameaçam populações tradicionais e invadem reservas naturais, indígenas e quilombolas. É uma população que precisa muito do SUS. Em reportagem, o editor Adriano De Lavor mostra o difícil e belo trabalho de uma equipe multiprofissional numa Unidade Básica de Saúde Fluvial do município de Tefé/AM. A embarcação percorre as comunidades tratando cada grávida, cada criança, cada senhor ou senhorinha “como gente”, diz um dos ribeirinhos.
Respeito ao cidadão é o foco de Luiz Felipe Stevanim na matéria sobre como as informações pessoais digitais são hoje objeto de comércio e controle por parte de corporações e governos, com riscos à privacidade e à saúde. Luiz Felipe substitui como subeditor Bruno Dominguez, que deu enorme contribuição à revista, desde 2006. Outro colega que segue para novos desafios é Jorge Ricardo Pereira, que organizou e digitalizou todo o acervo do Programa Radis. Aos queridos Bruno e Jorge, nosso reconhecimento e agradecimento.
Em meio à crise sanitária, voltam a circular propostas de reduzir os salários já defasados de servidores como os professores, que formam nas escolas e universidades públicas os profissionais que se dedicam a estudar os fatores biológicos, sociais, econômicos e ambientais que determinam os processos de novas e antigas doenças. Por que reduzir salários de servidores como os pesquisadores e técnicos que, em tempo recorde, sequenciaram o genoma do coronavírus, desenvolveram tecnologia de diagnóstico, treinaram equipes brasileiras e sul-americanas para as testagens, trabalham em turnos ininterruptos para produzir milhões de kits para o SUS? Como reduzir ainda mais os salários de enfermeiros, médicos, técnicos, agentes e demais profissionais de saúde que cuidam das pessoas que estão sendo atingidas, com alto risco de se contaminar, trabalhando em condições inadequadas, dada a redução de investimentos no SUS, exercendo jornadas extenuantes, muitos deles mantendo-se afastados de seus lares para não contaminar suas famílias? Um jornal de decrescente circulação e baixíssimo compromisso social chegou a publicar editorial apoiando essa ideia, tão perversa quanto inócua para enfrentar a pandemia.
Em afronta a direitos e à situação de desemprego que desalenta as famílias brasileiras, cogitou-se autorizar a suspensão de contratos de trabalho e a suspensão ou redução de salários dos trabalhadores da iniciativa privada, na contramão do que todos os demais países estão fazendo. Que tipo de gente, em sã consciência, pensaria em penalizar e desproteger ainda mais os trabalhadores na iminência de uma doença? No país que destina cerca de 50% do orçamento da União para pagar sem questionar os juros e encargos de uma dívida pública nunca auditada, como já pontuaram diversos entrevistados em edições anteriores, por que não alocar no SUS e no enfrentamento à pandemia os recursos do pagamento dessa dívida e suspender os perversos efeitos do congelamento por 20 anos dos “gastos” com os serviços públicos a que a população tem direito e tanto precisa nessa hora?



Rogério Lannes,

RADIS Comunicação e Saúde - FIOCRUZ

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Cientistas brasileiros capturam o momento exato em que o COVID-19 infecta uma célula

As imagens mostram o comportamento dos patógenos do vírus enquanto alteram o citoplasma de uma célula de linhagem "vero".



A imagem do microscópio mostra a formação de um ponto preto que corresponde ao patógeno COVID-19. (EFE)



Cientistas brasileiros capturaram imagens do exato momento em que o novo coronavírus (COVID-19) infecta uma célula, informou na quarta-feira a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Brasil , o maior centro de pesquisa médica da América Latina.

As fotografias foram tiradas com um microscópio eletrônico de transmissão durante um estudo sobre a replicação viral do SARS-CoV-2 e mostram em detalhes o processo de contaminação de uma célula, anunciou a Fiocruz em comunicado.
Para isso, pesquisadores da Fiocruz, órgão vinculado ao Ministério da Saúde do Brasil, infectaram células da linhagem "Vero", frequentemente utilizadas para testes in vitro e culturas de células, com o coronavírus, causador da doença de COVID-19.
Em um dos instantâneos, observa-se uma série de manchas escuras, que na verdade são partículas virais do patógeno, tentando infectar o citoplasma da célula, dentro do qual está o núcleo, responsável por armazenar seu material genético.
Cravos pretos são patógenos da SARS-CoV-2, enquanto tentam infectar o citoplasma das células.  (EFE)
Cravos pretos são patógenos da SARS-CoV-2, enquanto tentam infectar o citoplasma das células. (EFE)
Em uma segunda imagem, o coronavírus inicia o processo de infecção e, finalmente, em outra injeção, as partículas virais dentro da célula já são visualizadas.
Nesse momento, o patógeno do vírus já infecta as células.  (EFE)
Nesse momento, o patógeno do vírus já infecta as células. (EFE)
O registro é inédito no Brasil e faz parte de uma investigação que estuda como o novo coronavírus se reproduz e que é conduzida por cientistas do Laboratório de Morfologia e Morfogênese Viral e do Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo.
O Brasil é o país latino-americano mais afetado pela nova pandemia de coronavírus, com 706 mortes e 14.275 casos confirmados até quarta-feira.
Segundo o Ministério da Saúde, que prevê que o pico chegue entre abril e maio, os dados mostram uma taxa de mortalidade de patógenos no país sul-americano de 4,9%.
O estado de São Paulo, o mais rico e mais populoso do Brasil, com cerca de 46 milhões de habitantes, é a região mais atingida, com 371 mortes e 5.682 infecções.







sábado, 11 de abril de 2020

ABEC Brasil e Ibict lançam repositório de preprints


Nos próximos dias, a Associação Brasileira de Editores Científicos (ABEC Brasil) e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) lançarão um repositório de preprints pioneiro, voltado para revistas científicas. Batizado de EmeRI – Emerging Research Information – o repositório parte de uma demanda de editores científicos, em meio à urgência de divulgar resultados de pesquisa sobre o novo coronavírus.original.
“Na concepção original, repositórios são alimentados por autores.  As revistas não têm tal recurso à disposição e não têm como oferecer a informação nesse estágio intermediário, entre a aprovação na revisão inicial de conformidade e a tramitação pelos pareceristas científicos e a preparação editorial. O EmeRI inova, ao oferecer essa possibilidade”, afirma Piotr Trzesniak, Secretário-Geral da ABEC Brasil e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
“O apoio da equipe de Coordenação Geral de Pesquisa e Manutenção de Produtos Consolidados do Ibict, comandada por Bianca Amaro, está sendo fundamental nessa rápida viabilização do projeto”, conclui. 
O preprint é um artigo que ainda não passou pela tradicional avaliação por pares – que pode levar vários meses – mas que mesmo assim é disponibilizado para acelerar o acesso à informação. Atualmente, não há um servidor centralizado que permita às revistas científicas a publicação de preprints.
O EmerRI se propõe a ser uma plataforma aberta para revistas científica de todo o mundo, não apenas do Brasil, mas sempre com um olhar carinhoso para os países cientificamente emergentes. 
Será alimentado pelos próprios editores. Os preprints deverão ter passado pelo processo de desk review – aprovados para prosseguir para a etapa de revisão por pares -, segundo o critério de cada revista, além de ter a autorização dos autores.
A proposta surgiu há cerca dez dias e será lançada com a expectativa de contar com colaboração de toda comunidade ligada à produção e editoração científica para a alimentação, bem como para avaliação e sugestões que possam ajudar o aperfeiçoamento da plataforma.
Mais informações serão compartilhadas em breve.

terça-feira, 31 de março de 2020

COVID-19 E DEPENDÊNCIA CIENTÍFICA



Dependência cultural, como refletido em publicações científicas

A pandemia do vírus SARS-CoV-2 responsável pelo Covid-19 destaca a necessidade de cada país ter dados, análises e pesquisas científicas confiáveis, produzidos a partir de diferentes áreas do conhecimento, e que circulam rapidamente pelos espaços de entrada. de decisões, para contextualizar as políticas.
Mas essa necessidade de autonomia no processo de publicação e distribuição de pesquisas científicas cristaliza o efeito prejudicial dos incentivos simbólicos e econômicos por parte dos Estados para que essas pesquisas sejam publicadas em inglês, em periódicos com alto "fator de impacto", gerenciado, editado e distribuído por grandes redes comerciais na indústria científica.
Essas empresas multinacionais não financiam as investigações, nem pagam royalties àqueles que participam da cadeia de produção, mas pelo contrário: cobram quantias significativas pela edição e publicação de um artigo (que excede US $ 3.000) e depois coletam acesso a esse conteúdo. Portanto, os Estados financiam a pesquisa, alocam fundos para pagar as taxas de publicação e adquirem acesso à programação completa de cada uma dessas empresas. Os números publicados em algumas pesquisas sobre estimativas de valores gastos pelos países industrializados mostram que a Alemanha, por exemplo, em 2013 gastaria US $ 140 milhões em encargos de processamento de artigos editoriais ou encargos de processamento de artigos.(APC) e mais de US $ 200 milhões de euros para acessar esse conteúdo, ou seja, 340 milhões de euros apenas no processo de edição e distribuição de pesquisas anteriormente financiadas pelo estado alemão.
E por que seria prejudicial para o Estado argentino incentivar e financiar esse modelo de publicação? Primeiro, porque ao comercializar a distribuição, essas grandes cadeias restringem o acesso à pesquisa. Utilizando uma metáfora do futebol, a disputa internacional no campo da comercialização do acesso ao conteúdo científico é semelhante à disputa entre o futebol criptografado e o modelo Football for All., o que equivaleria ao movimento de acesso aberto à informação científica, com grande apoio internacional. Mas o grande problema com o modelo de negócios das cadeias de distribuição de conteúdo científico é que ele concentra e monopoliza muito mais o mercado: é como se, em vez de pagar uma taxa mensal a um provedor local para assistir aos jogos nacionais, tivéssemos que pagar mais de US $ 30 dólares (que é o que sai para baixar um único artigo científico) a um distribuidor internacional para assistir a um único jogo, e que os clubes não recebiam um peso como royalties. Os clubes nacionais seriam des financiados, enquanto o distribuidor internacional aumentaria significativamente seus lucros. (Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.)
Esse modelo de comercialização de acesso tem sido amplamente criticado pela mídia e pela comunidade científica, mesmo nos países mais industrializados. Quase dez anos atrás, quando George Monbiot ironizou no jornal inglês The Guardian : “Quem são os capitalistas mais cruéis do mundo ocidental? Quais práticas monopolistas fazem o Walmart parecer a loja da esquina e Rupert Murdoch um socialista? E ele continuou: "Embora haja muitos candidatos, meu voto não vai para bancos, empresas de petróleo ou seguro de saúde, mas para editoras científicas".
Diante da atual necessidade de circulação irrestrita de informações científicas, em 31 de janeiro, um dia após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar o Covid-19 como uma emergência de saúde pública de interesse internacional, o Wellcome, um dos Os grandes fundos para pesquisa em saúde, que mantêm um forte compromisso com o livre acesso à informação científica, publicaram um apelo público à comunidade científica, revistas e patrocinadores "para garantir que os resultados da pesquisa e os dados relevantes sobre essa epidemia sejam compartilhados de maneira rápida e aberta". E continuou: "Especificamente, estamos comprometidos em trabalhar juntos para ajudar a garantir que todas as publicações de pesquisa revisadas por pares relevantes para a epidemia tenham acesso imediatamente aberto ou estejam disponíveis gratuitamente pelo menos durante a epidemia".
Apesar desse apelo internacional, alguns grandes editores científicos continuaram a comercializar o acesso a pesquisas de grande relevância para a tomada de decisões. A multinacional Sage, por exemplo, abriu o acesso ao material publicado no Covid-19 em 12 de fevereiro , mas outras grandes multinacionais continuaram a comercializá-lo. Dada a gravidade da situação, a Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, uma das entidades públicas americanas mais combativas para o livre acesso à informação científica, reuniu as organizações nacionais de ciência e tecnologia de uma dúzia de países , e as 13 de março de 2020, quando a pandemia já havia atingido 122 países, eles anunciaram o "Iniciativa COVID-19 de Emergência em Saúde Pública ”, na qual pediram especificamente a editores científicos que aceitassem voluntariamente o pedido de acesso imediato a publicações relacionadas ao Covid-19 para disponibilizá-las gratuitamente através do banco de dados PubMed Central (PMC) e outros repositórios públicos que poderiam colaborar com a emergência de saúde pública. Somente em 16 de março, a Elsevier liberou o acesso exclusivo ao conteúdo do Covid-19 e a Wellcome divulgou a lista de mais de 30 editores científicos comprometidos em liberar conteúdo relacionado ao novo vírus.
Embora a comercialização do acesso à pesquisa seja uma das grandes batalhas travadas no campo científico, que o Estado incentive e financie esse modelo de publicação é prejudicial e prejudicial ao próprio país por uma razão mais complexa: porque Começa a moldar os interesses da pesquisa, a relegar e desvalorizar os problemas nacionais, questões inovadoras ou mal trabalhadas, a se alistar em áreas que já são altamente populosas, para garantir alta citação. Dessa forma, a agenda de pesquisa está alinhada com outros interesses. Um proeminente doutor em química em nosso país declarou publicamente que “os periódicos latino-americanos têm baixo impacto porque recebem segundo, terceiro ou quarto artigos de seleção.. O que não podíamos publicar na Nature, tentamos publicar em Elsevier e o que não publicamos, tentamos publicar na Argentina ”. Essas declarações, repletas de ideologia e ausentes de uma análise profunda sobre os processos de estratificação da ciência mundial, são frequentemente ouvidas em "conversas sobre café" que reproduzem e alimentam o senso comum de uma argentinidade que parece ter sido ancorada nas "zonceras argentinas" Por Arturo Jauretche, ou pior, na dicotomia "civilização e barbárie" de meados do século XIX. O sério é que eles são traduzidos em regulamentos. Nos hospitais públicos de nosso país,
A definição da OMS de doenças “negligenciadas” ou “negligenciadas” (como dengue, raiva, leishmaniose, doença de Chagas, entre outras) é um exemplo claro dessa distorção. Embora sejam doenças que "reduzem permanentemente o potencial humano, mantendo mais de um bilhão de pessoas na pobreza e, portanto, representam um enorme ônus econômico para os países endêmicos", como menciona a OMS ", elas recebem pouca atenção e são atrasadas nas prioridades de saúde pública porque os afetados carecem de influência política ". " Eles não causam surtos que capturam a atenção do públicoe a mídia. Eles não viajam de um país para outro, nem afetam os países ricos. ” Em resumo, eles não fazem parte da agenda de pesquisa dos países industrializados e, portanto, não são de interesse da indústria editorial científica, de modo que o sofrimento das pessoas afetadas acaba sendo relegado e tornado invisível pelos próprios países afetados. .
E por que o próprio sistema de avaliação da produção científica está incentivando a comunidade científica a olhar para fora? O matemático Oscar Varsavsky, em seu livro Science, Politics and Scientism , publicado em 1969, já questionava a "dependência cultural que a maioria aceita com orgulho, mesmo acreditando que esteja acima de 'pequenos nacionalismos'". Mais de 50 anos se passaram desde as palavras de Varsavsky e o cenário não apenas não mudou, mas piorou. A dependência científica do modelo de publicação e distribuição comercializado pela indústria editorial levou a mudanças nas agendas nacionais de pesquisa e a subfinanciamento do sistema de publicação e distribuição da produção científica através das revistas publicadas no país.
Mas esse não é um problema limitado à Argentina ou aos países da América Latina. Segundo o Dr. Jie Xu, da Universidade de Wuhan , o governo chinês tem feito grandes esforços para reverter os incentivos para publicar em revistas editadas pela indústria editorial científica, pois levaram ao aumento da produção de artigos de qualidade duvidosa. Pesquisadores em escravos para citar métricas e incentivaram a má conduta investigativa. A crise gerada pelo Covid-19 no sistema de pesquisa chinês colocou o eixo na geração de políticas científicas baseadas nas reais necessidades do país e no privilegio da publicação em revistas científicas chinesas, e não em revistas da indústria editorial.
O grande salto tecnológico que ocorreu na edição científica em nível internacional na última década, não se refletiu na Argentina. A falta de financiamento e incentivos causou uma grande diminuição no número de revistas com capacidade de dialogar com o cenário internacional. Por exemplo, na área de ciências da saúde, das 588 revistas argentinas registradas no diretório Latindex, apenas 7 foram aceitas no PubMed, a biblioteca eletrônica mais relevante no campo das ciências da saúde. E isso não significa que o resto das revistas publique o "quarto" artigo, como o senso comum expressaria. É um processo complexo, semelhante à abertura de importações: a indústria local é des financiada, as capacidades e os conhecimentos que existiam nas décadas anteriores são perdidos e ocorre uma grande desvalorização da produção nacional.
Apostar no fortalecimento de canais de circulação da ciência que estimulem a investigação de problemas nacionais e garantam, por sua vez, a inserção no diálogo internacional ainda é uma dívida pendente. A crise atual deve funcionar como um catalisador para uma mudança necessária, o que exigiria pelo menos duas apostas: por um lado, para áreas que já possuem periódicos científicos, melhore o desenvolvimento de sistemas integrados de publicação eletrônica com a capacidade de dialogar de uma maneira automatizado com sistemas de validação de dados e distribuição de conteúdo, para acelerar a circulação da pesquisa; e, por outro lado, para as áreas com poucas revistas com pouca circulação, projete um sistema de publicação que integre essas áreas em uma única plataforma de publicação.
Diante da crise causada pela pandemia, a autonomia ganhou importância renovada, não apenas nas práticas científicas, mas em vários níveis da economia e da indústria. Mas, para começar a reverter a dependência, precisamos não apenas gerar estruturas ágeis que respondam às necessidades atuais, mas também ter em mente que, como Varsavsky disse, a dependência é "cultural", e é por isso que a grande batalha ocorre em um nível simbólico. de representações, na desconstrução de uma história contaminada por frases construídas em realidades que não nos pertencem.

POR: VIVIANA MARTINOVICH
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sexta-feira, 20 de março de 2020

Revistas científicas e revisores estão enfrentando um aumento nas publicações sobre COVID-19



Os revisores de pares lidam com o aumento nas publicações da COVID-19.


Os especialistas em coronavírus estão intensificando seus próprios programas de pesquisa em resposta ao surto, enquanto lidam com um influxo de manuscritos de outros pesquisadores que exigem revisão por pares.   

Os periódicos acadêmicos já tomaram medidas para acelerar o fluxo de informações revisadas por pares, acelerando o editorial e a revisão por pares de manuscritos relacionados ao coronavírus e concedendo a eles o status de acesso aberto após a publicação. 

Atualmente, os servidores de prepinrmts bioRxiv e medRxiv possuem mais de 500 documentos de coronavírus no total, muitos dos quais não concluíram a revisão por pares. 

Apesar do aumento da carga de trabalho, os especialistas em coronavírus enfatizam a importância da rápida revisão por pares para combater as informações erradas e lidar melhor com a pandemia e pretendem continuar revisando o máximo de documentos possível. A maioria dos dados nesses novos documentos de coronavírus será robusta.

Fonte: Universo Abierto

sexta-feira, 13 de março de 2020

O surto de coronavírus (COVID-19) destaca sérias deficiências na comunicação científica [Publicado originalmente no LSE Impact Blog em março / 2020]

As grandes crises geralmente revelam as normas ocultas do sistema científico, tornando públicas as práticas conhecidas na ciência. O surto de coronavírus (COVID-19) expõe uma verdade desconfortável sobre a ciência: o atual sistema de comunicação acadêmica não atende às necessidades da ciência e da sociedade. Mais especificamente, a crise destaca duas ineficiências no sistema de pesquisa: o padrão da ciência fechada e a ênfase excessiva nas publicações de elite, apenas em inglês, independentemente do contexto e das consequências da pesquisa.
Em 31 de janeiro de 2020, o Wellcome Trust chamou o coronavírus de “ameaça importante e urgente à saúde global”  e apelou a “pesquisadores, periódicos e patrocinadores para garantir que os resultados da pesquisa e os dados relevantes para ele o surto seja compartilhado de maneira rápida e aberta para informar a resposta da saúde pública e ajudar a salvar vidas ” 1 . Os signatários desta declaração incluíram editores importantes, como Elsevier , Springer Nature e Taylor & Francis, bem como vários financiadores e sociedades acadêmicas. Os signatários da declaração comprometeram-se a abrir todas as investigações e dados de surtos imediatamente: nos repositórios de pré-impressão de artigos que não foram revisados ​​por pares e nas plataformas de periódicos dos artigos que já foram revisado.
Este é um passo positivo, mas não vai longe o suficiente para atender às necessidades do público. Os documentos e capítulos de livros que foram divulgados por esta medida representam apenas uma pequena proporção da literatura disponível sobre coronavírus. De acordo com a Web of Science (WOS), 13.818 artigos sobre o tema dos coronavírus foram publicados desde o final da década de 1960. Mais da metade (51,5%) desses artigos permanece fechada para acesso. O coronavírus é, sem dúvida, uma grande família de vírus, e pode-se questionar a relevância de trabalhos mais antigos para o surto atual. No entanto, a título de exemplo, os três documentos sobre COVID-19 publicados na edição de 15 de fevereiro da revista The Lanceteles foram baseados em 69 documentos diferentes indexados no WOS, dos quais 73,2% estão no conjunto de 13.818 documentos de coronavírus. A referência mais antiga nesses documentos é a de 1988, enfatizando o fato de que, embora o coronavírus possa ser novo, a pesquisa sobre o coronavírus se baseia em uma longa linha de literatura de pesquisa frequentemente fechada.
A incorporação dessa literatura científica em fluxos de pesquisa muito mais amplos também destaca as limitações dessa abordagem. Os 13.818 artigos sobre coronavírus citam mais de 200.000 artigos, da virologia ao câncer e da saúde pública à genética e hereditariedade (Figura 1). Menos de um terço dos artigos citados dos quais os "artigos sobre coronavírus" obtiveram informações e inspiração foram outros "artigos sobre coronavírus". Mesmo que todos os artigos sobre o tema dos coronavírus estivessem disponíveis, isso seria insuficiente para lidar com a crise, dada a natureza inerentemente interdisciplinar da pesquisa biomédica. A base de conhecimento científico é simplesmente muito mais ampla que um único assunto. Visualizar a literatura através da lente estreita de artigos sobre coronavírus diretamente relacionados ao COVID-19 apenas cega o esforço de pesquisa para outros trabalhos potencialmente cruciais. As curas para doenças geralmente vêm de novas combinações e idéias de várias áreas de pesquisa. Se o objetivo da abertura da pesquisa é promover a ciência e servir a sociedade, toda a pesquisa deve ser aberta, e não apenas parte dela.
Figura 1. Percentual de referências citadas pelos trabalhos sobre coronavírus, por especialidade dos periódicos citados. Classificação NSF de campo e subcampo 1988-2018.
Os incentivos à publicação são outro elemento polêmico revelado pelo atual surto. Na última década, autoridades e instituições chinesas, como as de muitos outros países, ofereceram recompensas financeiras diretas com base na revista em que os pesquisadores publicam, com o objetivo implícito de melhorar a posição de suas instituições no ranking internacional. Invariavelmente, publicar nessas revistas implica ajustar-se à lingua franca(Inglês) e publique tópicos importantes para os guardiões dessas revistas, que são desproporcionalmente provenientes dos países ocidentais. Embora o alcance da comunidade científica em geral seja um objetivo importante, não deve ser à custa do alcance das comunidades locais, particularmente aquelas que têm uma conexão direta com o tópico de estudo. Devido às barreiras de pagamento e ao uso do inglês, os periódicos internacionais geralmente são inacessíveis para aqueles na linha de frente global de prestação de cuidados de saúde e desenvolvimento de políticas de saúde, especialmente em tempos de crise.
O atual surto de coronavírus exemplifica essa deficiência. No final de 2019, o Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças (CCDCP) enviou um grupo de especialistas a Wuhan para recuperar dados sobre o vírus. Isso ocorreu quase três semanas após o primeiro paciente ter sintomas e imediatamente após as notícias da transmissão humano-humano nas mídias sociais por oito médicos de Wuhan (que foram posteriormente acusados ​​pela polícia). Os pesquisadores analisaram os dados e apresentaram os resultados, incluindo uma verificação da transmissão pessoa a pessoa do vírus, a periódicos ocidentais de alto escalão, The Lancet e New England Journal of Medicine.(NEJM), publicado em 24 e 29 de janeiro, respectivamente. Uma declaração pública foi divulgada em 20 de janeiro, reconhecendo a transmissão do vírus de pessoa para pessoa.
Figura 2. Número de artigos sobre vigilância de doenças publicados por pesquisadores chineses em periódicos internacionais (WOS) e periódicos nacionais (CNKI). Após a epidemia de SARS em 2003, a importância da pesquisa de vigilância de doenças na China aumentou exponencialmente.
Em resposta, o governo chinês estipulou que financiava projetos de coronavírus, incluindo aqueles sob a nova iniciativa de 1,5 milhão da Fundação Nacional de Ciência da China(NSFC), deve ser publicado em revistas chinesas locais, em vez de internacionais, e que a ênfase deve estar no controle do vírus e em salvar vidas. Isso sugere um reconhecimento pelo governo chinês de que o foco na publicação em periódicos de elite não forneceu a maneira mais conveniente de divulgar os resultados. Além disso, o Ministério da Educação (MoE) e o Ministério da Ciência e Tecnologia (MoST) emitiram uma declaração conjunta exigindo que universidades e instituições de pesquisa limitem o uso de documentos SCI, bem como indicadores relacionados (por exemplo, JIF , ESI, etc.) na avaliação da pesquisa. O MoST também estipulou que o número de documentos não pode ser usado como critério-chave para avaliar o desempenho da investigação e proibiu o uso de políticas de caixa por publicação. Todas essas iniciativas apontam para uma verdade subjacente: priorizar indicadores sobre a entrega oportuna dos resultados da pesquisa às comunidades relevantes não é do melhor interesse da sociedade.
Os signatários da declaração Wellcome Trust concordam em seguir esses princípios não apenas para o surto atual, mas também para todas as situações futuras “em que haja um benefício significativo à saúde pública ao garantir que os dados sejam compartilhados ampla e rapidamente. " 1. Essa afirmação estabelece um vínculo direto entre a saúde pública e a troca de resultados de pesquisas: argumentar implicitamente que os muros e embargos de periódicos impedem o avanço da ciência e, como resultado, são uma ameaça à saúde pública. No entanto, também levanta a questão: onde é traçada a linha do que constitui um “benefício de saúde pública”? Nos últimos cinco meses, o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos estimou que havia entre 18.000 e 46.000 mortes relacionadas à gripe. Não existe um benefício para a saúde pública em fazer pesquisas públicas sobre isso e qualquer pesquisa que possa acelerar a descoberta biomédica e salvar vidas?
Apelamos à comunidade científica (editores, financiadores e sociedades) para que se mantenham fiéis à sua palavra. Declaração de Confiança Wellcomeé inequívoco: a pesquisa precisa ser compartilhada rapidamente para informar o público e salvar vidas. Enquanto aplaudimos o trabalho que está sendo realizado no meio desta crise, esperamos que este momento sirva como um catalisador para a mudança. O governo Trump nos Estados Unidos, por exemplo, está considerando uma ordem executiva que tornaria todos os estudos financiados pelo governo federal livres para ler na publicação. Da mesma forma, a coalizão de financiadores do Plano S exige que todas as pesquisas financiadas sejam publicadas em periódicos de acesso aberto. Embora muitas agências de fomento adotem políticas de acesso aberto, a conformidade é variável e os embargos atualmente limitam o acesso imediato à pesquisa biomédica.Wellcome Trust . Esta é uma contradição flagrante.
Os signatários da declaração Wellcome Trust devem estender os princípios para abranger todas as suas práticas: tornar a pesquisa prontamente disponível e incentivar a comunicação científica a todos os envolvidos. A resposta científica ao COVID-19 mostrou alguns dos benefícios da abertura do sistema científico: incluindo o torrent de documentos que são imediatamente compartilhados em servidores de pré - impressão, colaboração aberta e discussão de cientistas usando plataformas de mídia social e modelagem acelerada de genomas virais. No entanto, isso terá sido em vão se o sistema científico não mudar. É essencial reconhecer o que está claro neste momento de crise: um sistema científico robusto e uma cidadania informada requerem acesso imediato e público à pesquisa..

Fonte: Por Vincent Larivière, Fei Shu y Cassidy Sugimoto - Scielo en Perspectiva

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Vida e carreira do maior editor independente do Brasil

Massao Ohno foi o editor da ruptura e da ousadia, apresentando um trabalho rico e variado durante toda sua trajetória editorial


Não sabe-se ao certo se por sonho ou delírio, mas Massao Ohno (1936-2010) viveu sua vida ansiando o dia em que faria a cidade amanhecer com poemas nos outdoors, ao invés de anúncios de massa de tomate, desodorantes e calcinhas. O filho de imigrantes japoneses talvez não tenha chegado a tanto, mas foi o responsável por lançar toda uma geração de poetas nos anos 1960, conhecidos como Os Novíssimos, além de publicar nomes como Hilda Hilst, Renata Pallottini e Lupe Cotrim.

O trabalho editorial de Ohno foi muito importante e, por isso, é relembrado até hoje – afinal, ser editado por Massao Ohno era como que ganhar um selo de qualidade. Todo poeta queria ser publicado por ele. E, aparentemente, o editor queria publicar todo mundo. É justamente esse trabalho editorial de décadas que uniu poesia (muitas vezes inovadora) e requinte gráfico que pode agora ser visto no livro Massao Ohno, Editor (Ateliê Editorial), do professor e crítico José Armando Pereira da Silva. No volume – que foi editado com o apoio do ex-editor Frederico Jayme Nasser -, ele mostra e analisa as diversas fases do trabalho do editor, que renderam mais de 700 obras publicadas. No volume da Ateliê são apresentados cerca de 200 livros. “Fui mexendo muito no assunto e acabei com um enorme acervo de obras dele. No meu livro dou um enfoque maior para a primeira fase do trabalho dele, que coincide com a geração dos poetas de 1960”, diz Pereira da Silva.

Segundo o autor, a ideia de começar a pesquisar e escrever sobre Massao Ohno surgiu depois de uma homenagem feita para ele em 2004. “Algumas das pessoas presentes ao evento falaram sobre a obra dele mas não pareciam ter muita noção da dimensão, do que realmente tinha significado”, contou. Depois de conversar com o próprio Ohno, já doente mas ainda ativo, José Armando Pereira da Silva começou esse trabalho que durou anos e que agora chega às livrarias. 

Relação poeta e editor


  “Não existe relação poética sem editor. No caso do Massao, no que ele se pôs a editar poetas, acabou agregando um grupo que ficaria conhecido como a geração 60”, afirma Cláudio Willer, que, além de ensaísta e tradutor, é poeta e teve seu primeiro livro publicado por Ohno em 1964. Para ele, a relação entre poeta e editor é dialética, a reputação deles se torna mutualística e, neste caso, não só Massao Ohno se tornou o maior editor independente de sua época, como os artistas viraram referências na área da poesia. 
Segundo Willer, que também é doutor em Literatura pela FFLCH, em uma de suas conversas com Massao, o editor lhe disse: “Quero te publicar”. “Antes disso, essa ideia nem passava pela minha cabeça”, conta o autor. Anotações para um Apocalipse, seu primeiro livro, foi lançado junto com Piazzas, de Roberto Piva, também poeta e grande amigo de Willer. Produzidos como edições de bolso, em preto e branco e sem ilustrações ou efeitos gráficos, o design dos volumes tinha o objetivo de acompanhar seu conteúdo nada convencional. Eles inauguravam a Coleção Maldoror, que não pôde ir para a frente por falta de verba. 
Foi também nessa época que Massao Ohno trabalhou com Hilda Hilst, Lupe Cotrim, Renata Pallottini e Ida Laura, que já tinham certa experiência e não se enquadravam rigorosamente na Geração 60 – desta, além de Willer e Piva, faziam parte nomes como Sérgio Lima, Carlos Felipe Moisés e Décio Bar, entre outros. Nesses trabalhos o editor optou por uma produção mais artística e artesanal, valorizando as obras e evidenciando seu sentimento em relação à profissão que exercia. Como em Sete Cantos do Poeta Para o Anjo, da Hilda, e Livro de Sonetos, da Renata, que tinham designs arrojados e inovadores para a época. 
O final dos anos 1960 e início dos 1970 na carreira de Ohno foi marcado por um afastamento das atividades de editor. Nesse período ele focou em atividades cinematográficas, assumindo a produção executiva de Riacho de Sangue, de Fernando de Barros, e dirigindo o documentário O Novo Nordeste, além de distribuir outros títulos japoneses e brasileiros pouco comerciais. 

Primeiro logotipo usado por Massao Ohno para a Coleção dos Novíssimos – Foto: Reprodução/Ateliê Editorial

“Quando ele voltou a publicar poetas, resolveu fazer um grande lançamento coletivo e pediu para que eu e outros amigos coordenassem o que depois se tornaria a Primeira Feira Paulista de Poesia e Arte”, diz Willer. A feira aconteceu em 1976, no Teatro Municipal, e representava a volta de Massao à cena editorial da época. Segundo o que ele próprio disse em entrevista depois, o evento alcançou os objetivos propostos, incentivando um encontro entre diferentes públicos e correntes artísticas, além de ampliar a visão sobre o que vinha sendo feito em São Paulo, principalmente em termos de criação poética. 
Nos anos 1980, Ohno se associou à Editora Civilização Brasileira, situada no Rio de Janeiro. O acordo veio como uma oportunidade para que o editor pudesse expandir sua área de atuação, e continuasse com produções independentes. A aliança, no entanto, foi curta, e embora Massao tenha publicado algumas coleções no Rio, como Poesia Sempre, Poesia Hoje e Pôsters-Poemas, ele não reviveu seu sucesso no ambiente carioca. A maior relevância desse período em sua carreira talvez tenha sido os contatos adquiridos, que o levaram a publicar Olga Savary, Marly de Oliveira, Ledo Ivo, entre tantos outros poetas. 
Até o ano 2000 o editor ainda publicou uma quantidade substancial de obras, e embora a poesia predominasse, as demandas de vários outros segmentos aumentaram. A partir daí as publicações ficaram mais escassas mas, de acordo com Willer, sua vontade de editar nunca diminuiu. “Quando ele ainda não sabia sobre o câncer que progredia em seu pulmão, nos encontramos em uma homenagem ao Roberto Piva e eu ouvi novamente dele: ‘Willer, quero te publicar’”.

Sobrecapa do livro Massao Ohno, Editor – Divulgação Ateliê Editorial

Massao Ohno morreu em 2010 deixando mais de 700 livros publicados em sua carreira. “Eu diria que ele foi importante pela capacidade que tinha de ler poesia sem ligar para se ela ofenderia ou não a moral e os bons costumes. O que lhe interessava mais era a arte, por isso também o cuidado com o tratamento gráfico dos livros”, afirma Willer. Dentre as parcerias firmadas por Ohno, é importante destacar os artistas plásticos que ajudaram no design de seus livros. É o caso de Acácio Assunção, João Suzuki, Manabu Mabe, Wesley Duke Lee, Tomie Ohtake, entre outros. É este trabalho gráfico apurado, principalmente, que pode ser visto agora no livro de José Armando Pereira da Silva.

Fonte: Jornal da USP     -     Confira aqui!!